Dizem os mais velhos que, quando a floresta ainda era jovem e os rios cantavam como crianças, os deuses da Amazônia reuniram-se em um círculo de fogo para decidir como proteger os homens.
A humanidade havia se perdido: guerreiros tornavam-se violentos, caçadores esqueciam de agradecer às presas e o silêncio da mata já não era mais respeitado. Então, a Mãe das Árvores pediu um remédio — não para o corpo, mas para a alma.
Foi nesse momento que Anhangá, o espírito guardião das matas, desceu em forma de veado branco. Ele trouxe em seu hálito o perfume das flores noturnas e nas suas pegadas brotaram raízes profundas. Cada raiz continha uma força: a do desejo, a da coragem, a da vida.
A Mãe das Águas, por sua vez, derramou sobre elas sua essência líquida, nascendo então o caxiri, bebida dos encontros e das celebrações. E o pajé mais antigo uniu raízes, flores e a bebida dos rios em um só cântaro, selado com fogo ritual.
Naquela noite, sob a lua cheia, os homens beberam pela primeira vez o que os deuses haviam criado: YURUMÁ, o elixir que não embriaga apenas o corpo, mas desperta o espírito.
Conta-se que quem bebe YURUMÁ ouve o coração da floresta, sente o abraço invisível dos ancestrais e é guiado pelo sagrado caminho entre o humano e o divino.
Por isso, até hoje, YURUMÁ não é apenas uma bebida.
É um ritual vivo, um elo com os deuses e uma promessa.